segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Canção Mínima, por Cecília Meireles

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Buscando sentido"


















O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo.
Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos.
O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.
Me recuso a viver num mundo sem sentido.
Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido.
Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa
busca que é sua própria fundação.
Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido (Leminski, 1997, p. 11).

terça-feira, 26 de outubro de 2010












ela sentada no chão. tintas não faltava em seu redor: primárias com secundárias, fortes com fortes. tudo se misturava. o pincel deslizava lado a outro no que antes era uma folha, por completa, branca. chegou momentos que pela pele passava, pormenorizando, devagar, o pincel. sua feição: a tez não mais tinha elasticidade para os lábios esticar, o superior em principal. o quarto contagiou com a leveza da sua presença. ser criança. era isto que viam os meus olhos naquela tarde chuvosa. de agora.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Homem; As Viagens

Carlos Drummond


O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Homenagear Maio

No mundo mostrado
estar vetado
o sentir!
Não luta-se
pelo povo
nem para o povo.
A razão
é reporduzir.
BASTA!
Chegou a hora,
quero diálogo
e não ser massa de manobra.
CHEGA!
Vem sentir,
de fato,
o mundo,
os mundos,
os mudos...


À tod@s que acham ser livres.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Papel velho

Revirando alguns papéis já rabiscados vem as mãos o registro de um estar.
E em letras vermelhas diz:
"noite é um pouco arte
saudade é o palco da ALMA
platéia faz sentir
as luzes transfigura o viver
e as cortinas
Ah! as cortinas
leva-me ao encontro"

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"o povo tem o poder de tornar esta vida livre e bela"

Numa dessas lidas pensando reoxigenar à luta tive em mãos a voz transcrita do "grande garoto" Charlie Chaplin que nos deixou a 32 anos, e na tela e na vida combatia o sistema. Um pedaço de sua inqueitação dizia assim: " ... A cobiça envenenou a alma do homem. Levantou no mundo as muralhas do ódio. E nos fez marchar para a miséria e os massacres. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em abudância, tem-nos deixado na penúria. Nossos conhecimentos nos fizeram céticos. Nossa inteligência, duros e cruéis. Nós pensamos em demasia e sentimos pouco. Mais do que maquinários, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de bondade e gentileza. Sem essas virtudes, a vida será violenta e tudo estará perdido."

Gaia